– Oi, prazer, Delaqueza – disse.
– Oi, Valentina – disse ela – Vou destruir teu coração, e fazer parte da tua mente, e te fazer pensar que nunca vai existir outra, nenhuma filha da puta se quer, pra me tirar daí de dentro. E o que é pior, não vai ser por que eu quero, e sim, pelos seus próprios caprichos. Você vai se perder nas tuas vontades, vai tropeçar no teu coração, e vai ficar tudo apertado. Vai ficar tudo diferente, o gosto das outras bocas, os cabelos das outras, a forma com que cada uma vai te olhar. Até mesmo meus pés feios, os mais lindos não vão ser mais os melhores. Eu vou te dar uma flor, rara, que só você vai possuir. Quisera você possuir dúzias dessa, mas quisera ter sido antes, pois de hoje pra frente, vai ser a única no seu jardim. Não vou firmar um para sempre, pois para sempre é muito tempo, porém não sei ao certo por quanto tempo, pra sempre, ainda é uma opção, apesar de improvável, talvez. Você não entende, não é? Suas utopias ainda são mais fortes do que a tua realidade. Eu estou aqui, na sua frente, me tenha para sempre, talvez. Me tivesse para sempre. Tolo. Ainda da pra sentir o cheiro da tua mente, ouvir o barulho, dela perdida, rodando em círculos nos teus devaneios. Eu queria ser sua, mas você quis ser seu e estragou tudo. Me ensinou a viver e ao mesmo tempo, vai desaprendendo como é. Estaria do teu lado, mas você cercou teu coração, duplicou silhuetas de corpos vazios e não me deixou uma quina se quer. Quão tolo. Cego. Vai sofrer, seu imoralista do caralho. Vai sofrer muito, vai sentir seu coração saltar em suicídio de cima de uma marquise, e cair morto dentro do teu peito. Imoralista do caralho. Obrigado pelos parabéns, vou te dar o primeiro beijo depois de uma valsa.
Delaqueza
